Bursite Trocantérica: O Que é, Causas, Biomecânica, Sintomas e Tratamentos

A bursite trocantérica é uma das condições mais comuns que afetam o quadril, sendo caracterizada pela inflamação da bursa trocantérica, uma pequena bolsa cheia de líquido que atua como amortecedor entre o osso do grande trocânter do fêmur e os tendões ou músculos adjacentes. Este artigo busca explorar em profundidade os aspectos dessa condição, suas causas, sintomas, alterações biomecânicas envolvidas e os tratamentos disponíveis.

O Que é a Bursa Trocantérica?

A bursa trocantérica é uma estrutura localizada na região lateral do quadril, sobre o trocânter maior do fêmur. Sua função principal é reduzir o atrito entre os tendões e os ossos durante o movimento. Quando essa bursa é submetida a sobrecarga ou trauma, pode inflamar, causando dor e desconforto, configurando o quadro de bursite trocantérica.

Causas da Bursite Trocantérica

As causas podem ser multifatoriais, envolvendo aspectos mecânicos, traumáticos, sistêmicos e biomecânicos:

  1. Trauma Repetitivo Movimentos repetitivos, como caminhar, correr ou subir escadas, podem sobrecarregar a Bursa, levando à sua inflamação. ( Vale ressaltar que nosso corpo é incrivelmente resistente e adaptativo, esse tipo de movimento tem que ser muito, mais muito repetitivo para gerar danos, ou a Bursa já esta em processo de inflamação e esses movimento só intensificariam os sintomas).
  2. Alterações Biomecânicas Alterações na mecânica do movimento do quadril desempenham um papel central no desenvolvimento da bursite trocantérica:
    • Fraqueza Muscular: A fraqueza dos músculos glúteos médio e mínimo reduz a estabilidade pélvica, gerando sobrecarga no trocânter maior.
    • Tensão da Banda Iliotibial: Uma banda iliotibial encurtada ou tensa aumenta o atrito na bursa trocantérica.
    • Desalinhamento do Quadril: Problemas como discrepância no comprimento das pernas ou alterações na marcha podem aumentar a pressão sobre o quadril lateral.
  3. Doenças Sistêmicas Doenças como artrite reumatoide, gota e osteoartrite podem predispor à inflamação crônica das bursas.
  4. Trauma Direto Impactos ou quedas diretamente sobre o quadril podem inflamar a bursa trocantérica.
  5. Fatores de Risco Gerais
    • Idade avançada.
    • Gênero feminino, especialmente na menopausa, devido às alterações hormonais que afetam tendões e músculos.
    • Obesidade, que sobrecarrega as articulações e estruturas adjacentes.

Biomecânica e Desenvolvimento da Bursite Trocantérica

A biomecânica desempenha um papel essencial na origem da bursite trocantérica. Fatores biomecânicos frequentemente associados incluem:

  1. Fraqueza dos Abdutores do Quadril Músculos como o glúteo médio e mínimo são responsáveis pela estabilização lateral da pelve. Quando enfraquecidos, ocorre maior oscilação pélvica e sobrecarga na bursa trocantérica.
  2. Tensão na Banda Iliotibial A tensão excessiva ou encurtamento da banda iliotibial aumenta o atrito contra a bursa durante a movimentação do quadril.
  3. Alterações na Postura e Marcha Alterações posturais, como hiperlordose lombar, ou padrões de marcha compensatórios podem intensificar a sobrecarga na região lateral do quadril.
  4. Desvios Anatômicos Discrepâncias no comprimento das pernas ou desalinhamentos pélvicos podem levar a um aumento significativo na pressão sobre a bursa trocantérica.

Sintomas da Bursite Trocantérica

Os sintomas mais comuns incluem:

  • Dor Localizada: Dor na parte lateral do quadril, que pode irradiar para a coxa ou nádegas.
  • Sensibilidade: Dor ao tocar ou pressionar a região do trocânter maior.
  • Rigidez: Sensação de rigidez no quadril, especialmente ao acordar ou após períodos prolongados de inatividade.
  • Dor Noturna: A dor pode ser mais intensa ao deitar-se sobre o lado afetado.
  • Limitação Funcional: Dificuldade em realizar atividades cotidianas, como caminhar, cruzar as pernas ou subir escadas.

Diagnóstico

O diagnóstico é baseado em uma combinação de histórico clínico, exame físico e exames de imagem:

  1. Histórico Clínico
    • Identificação de dor lateral no quadril e suas características.
    • Identificação de atividades ou padrões de movimento que agravam os sintomas.
  2. Exame Físico
    • Testes específicos, como o Teste de Ober, para avaliar a tensão da banda iliotibial.
    • Inspeção da postura e análise da marcha e palpação anatômica.
  3. Exames de Imagem
    • Ultrassonografia: Para avaliar a inflamação da bursa e estruturas adjacentes.
    • Ressonância Magnética: Para investigar lesões associadas, como tendinopatias.
    • Radiografia: Para excluir causas ósseas, como fraturas ou osteoartrite.

Tratamentos para Bursite Trocantérica

  1. Tratamentos Conservadores

 Modificação de Atividades

  • Reduzir atividades que causam impacto na região do quadril.

Fisioterapia

      • Fortalecimento Muscular
      • Alongamento
      • Reeducação
      • Ultrassom
      • Eletro Acupuntura
      • Terapia combinada 
      • Foto modulação
      • Terapias manuais para liberar tensões musculares e rigidez articular.

Medicações

  • Analgésicos e anti-inflamatórios não esteroides (AINEs).
  1. Intervenções Minimamente Invasivas

Infiltrações com Corticosteroides

  • Injeções locais para alívio rápido da dor em casos persistentes.
  1. Tratamento Cirúrgico 

  • A cirurgia é indicada apenas em casos refratários aos tratamentos conservadores e minimamente invasivos, consistindo na remoção da bursa inflamada ou correção de anormalidades biomecânicas.

Prevenção

  1. Manutenção de um Peso Saudável
    • Reduz a sobrecarga nas articulações do quadril.
  2. Prática Regular de Exercícios
    • Fortalecimento dos músculos do quadril e estabilizadores da pelve.
  3. Alongamentos Regulares
    • Para evitar tensões na banda iliotibial e em outros grupos musculares do quadril.
  4. Uso de Calçados Adequados
    • Proporciona melhor suporte biomecânico durante as atividades.
  5. Correção de Desvios Posturais
    • Uso de palmilhas para corrigir discrepâncias no comprimento das pernas, se necessário.

Conclusão

A bursite trocantérica é uma condição comum, mas que pode ser efetivamente gerenciada com um diagnóstico preciso e uma abordagem terapêutica apropriada. O foco em tratamentos conservadores, como fisioterapia e mudanças nos padrões biomecânicos, é fundamental para alívio dos sintomas e prevenção de recorrências. Com a implementação de estratégias de prevenção e manejo adequado, é possível melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes que sofrem com essa condição.

Referências

  1. Grimaldi A, Mellor R, Hodges P, et al. Gluteal Tendinopathy and Bursitis in the Hip: A Targeted Treatment Approach. Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy, 2018.
  2. Lee RY, Dalli M, Griffin DR. The Role of Biomechanics in Trochanteric Bursitis: A Comprehensive Review. Clinical Orthopaedics and Related Research, 2019.
  3. Mulligan EP, Carcia CR, Martin RL. Hip and Groin Pain: Guidelines for Rehabilitation and Treatment. Journal of Athletic Training, 2017.
  4. NICE Guidelines. Hip Pain – Bursitis. National Institute for Health and Care Excellence, 2021.

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